Publicado em 14 de janeiro de 2021

Ação lúdica utiliza bolinhas coloridas para destacar atitudes positivas dos estudantes

“Você é gentil. Você é inteligente. Você é importante.”. Uma das frases mais significativas do filme “Histórias Cruzadas” (The Help), citada pela personagem Aibileen à sua filha de criação, demonstra em poucas palavras a importância de um discurso cordial sobre a personalidade de uma criança. A motivação é uma característica inerente ao ser humano e o encorajamento de um adulto é influenciado pela maneira como esse traço é trabalhado durante a infância.

Buscando motivar os estudantes, fazendo-os entender que suas atitudes são importantes, foi criado no início do mês de outubro na Escola MOV uma ação voltada a valorizar atitudes positivas entre os jovens, de modo que eles possam ser reconhecidos pelos seus comportamentos em diferentes contextos na escola.

O incentivo aos bons comportamentos se dá através de bolinhas coloridas. Um quadro com divisórias foi construído em um espaço próximo aos ateliês da MOV, onde cada divisória possui um avatar representando um aluno. Cada professor tem uma cor de bolinha, que representa o seu componente curricular, e os alunos vão ganhando à medida que os professores identificam as atitudes positivas durante as aulas.

Segundo explica a coordenadora pedagógica da Escola, Isabel Dantas, o objetivo dessa ação é evidenciar o bom comportamento do estudante, diante de uma perspectiva de mudança, transformação da realidade, compreensão, protagonismo e empatia. Ela conta que, ao entregar uma bolinha ao aluno, o professor faz uma reflexão compreendendo o desenvolvimento de cada criança, respeitando sua individualidade e subjetividade, sem usar outras crianças como parâmetro, o critério é ela mesma.

“Se temos uma criança que não participava da aula, atrapalhava e não colaborava para que a atividade fluísse e de uma hora para outra ela passa a ter um comportamento diferente de participação, cooperação e ajuda, não só mudando sua postura, mas olhando para o outro, reconhecemos essa atitude e mostramos para o aluno que ele está melhorando, então, premiamos o seu comportamento com uma bolinha para que se sinta motivado”, acrescentou.

Apesar de fazer pouco tempo dessa ação na escola, já é possível observar os resultados. Além dos professores, as crianças também estão entregando bolinhas para os amigos – justificando a atitude positiva que percebeu no outro e aconselhando comportamentos inadequados que poderiam ser melhorados.

“É um trabalho bem interativo, nosso relacionamento com os amigos na sala evoluiu. Começamos a reconhecer as atitudes boas que a pessoa faz. Não estamos mais brigando tanto. Acho que se tivesse isso em outras escolas e se a sociedade destacasse e buscasse as coisas positivas… teríamos um mundo bem melhor, um mundo mais amigo”, falou Vinicius Campos, 12, estudante da Escola MOV.

Criança, um ser em formação

Quando os pequenos não têm comportamentos adequados é necessário mostrar-lhes os erros, ensinando que o que foi feito não foi legal, mas lembrando que suas atitudes podem ser melhoradas e que elas não os definem.

“O outro dia vai ser melhor e mostramos que ela é uma criança inteligente e gentil. Comunicando que erros acontecem mas que podem ser consertados, que foi apenas um deslize, ela adquire consciência das suas atitudes e busca melhorar”, explica Cristiana Carolina, psicóloga da Escola.

O objetivo é que as crianças se tornem adultos positivos, autoconfiantes e capazes de superar as dificuldades da vida, acreditando que tudo pode ser refeito e melhorado, enxergando “o copo sempre meio cheio”, transformando-se em pessoas solidárias e bondosas consigo mesmas e com o próximo.

Quando se evidencia as práticas positivas diante da sala e para os colegas, as crianças começam a compreender que suas atitudes podem mudar não só a realidade deles, mas a realidade de outras pessoas também. “Quando eles entendem isso, há uma modificação em toda a estrutura psíquica deles, desestruturando um pensamento que possuíam. A partir disso, reestruturam esse pensamento com novas representações das ações diante da sociedade, transformando comportamentos”, explica Hortência Fonseca, 24, estagiária de psicologia da Escola MOV.